segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Regrampeação-piloto com grampos de titânio em Guaratiba

Transcrevo aqui email enviado pelo André Ilha:

---------- Forwarded message ----------
From: André Ilha <andreilha@hotmail.com>
Date: 2011/10/9
Subject: [FEMERJ] Efetuada regrampeação-piloto com grampos de titânio em Guaratiba
To: FEMERJ <femerj@yahoogrupos.com.br>, Grupo CEP <petropolitano@yahoogroups.com>
 

Caros e caras,
 
Neste sábado concluí, com a inestimável ajuda dos amigos Claudão (Cláudio Martins) e Miguelzinho (Miguel Freitas), uma histórica regrampeação-piloto com grampos de titânio em algumas vias das Paredes de Cima, Falésia dos Orixás, Barra de Guaratiba, Rio de Janeiro.
 
Graças aos contatos com o pessoal as American Safe Climbing Association (ASCA) do Flávio Wasnewski, outro amigo que conquistou diversas vias em Guaratiba e já há alguns anos mora no Canadá, ele conseguiu comprar uma amostra dos grampos de titânio produzidos por aquela entidade, que são de dois tipos: um idêntico ao que era (ou é) feito pela Ushba, com olhal redondo, um ponto de solda e uma longa haste: e grampos em "U" de diversos tipos, mais ou menos curtos, mais ou menos largos. Vieram 10 grampos com olhal e 4 em "U", e primeiro eu remeti um exemplar com olhal para o GT Inox (GT Inox-Titânio?) da FEMERJ e outro para o grupo que está estudando a mesma questão em MG, por iniciativa do Tonico Magalhães em Belo Horizonte.
 
Esta regrampeação foi feita em dois dias diferentes, com o Claudão me acompanhando no primeiro dia e o Miguel no segundo. Trocamos os três grampos da Exu (VIIa), que é a via onde ocorreu o segundo (e último) acidente por quebra de grampos de inox no local, assim como o grampo final da Chaminé Iansã (II), por grampos de titânio com olhal, o que as reabre a repetições. Trocamos ainda o grampo de topo do bloco da Rainha do Mar e o de topo da parede onde fica Obá por grampos em "U", que num primeiro momento não me causaram uma boa impressão, mas depois vi que eles servem bem para ancoragens de topo de falésia, pois têm dois pontos de fixação e muito espaço para mosquetões. A troca destes grampos também reabriu as seguintes vias: Patuá, Rainha do Mar e Vodu, que convergem para o mesmo grampo, e permitiram que Frango de Macumba (onde ocorreu o primeiro acidente com quebra de grampos de inox no local) possa ser repetida com corda de cima; Chuta Que É Macumba, que termina na Exu: e Oxumarê, Oxum, Obá, Oxalá, Ogum e Obatalá, que agora podem ser guiadas com a segurança de uma boa ancoragem de topo.
 
Todas os grampos acima mencionados foram fixados como manda o figurino: com cola da Hilti e seguindo toda uma série de procedimentos complexos. Mas depois batemos mais um grampo com olhal no início da Pai-de-Santo por compressão, seguindo uma ideia original do Tonico Magalhães, para adaptar estes grampos à nossa realidade e à nossa cultura. O resultafo foi muito promissor, com um grampo de titânio fixado sem cola, mas o processo precisa ser aperfeiçoado. Usamos um alicate de pressão, conforme sugerido pelo Tonico, para bater neste instrumento, e não no grampo, para não transferir força para a solda do grampo, mas o alicate que levamos, pequeno, "escapava" e acabamos terminando de bater o grampo diretamente com a marreta. Por precaução demos um ponto de cola para mantê-lo firme na posição, mas achamos que ele acabou ficando muito bom.
 
Nosso sentimento é que, superadas algumas dificuldades, este é o caminho para se proteger com grampos de titânio vias à beira-mar: batidos por compressão, como nossos tradicionais grampos de 1/2". O procedimento de uso-padrão da cola é complicadíssimo, nada prático, e impede a conquista (de baixo para cima) com grampos deste tipo.
Mais testes ainda precisam ser feitos, mas acho que identificamos um caminho realmente seguro a ser seguido no futuro, e não custa lembrar que a FEMERJ está em negociações com a prefeitura do Rio de Janeiro para que esta ajude a adquirir um lote expressivo de grampos de titânio para um amplo programa de regrampeação das vias à beira-mar no estado, principalmente na capital e em Niterói.
 
Abraços animados,
 
André
 
Depois do segundo acidente ocorrido lá com quebra de grampos inox, ficou claro que este material não serve para proteções fixas à beira-mar, e pior ainda quando há algum processo de soldagem envolvido. Tínhamos que buscar algo que efetivamente funcione nestes ambientes

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